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08 janeiro 2012

Terço da juventude


Terço da juventude

Para muitas pessoas a juventude é apenas uma etapa da vida, um tempo de transição, de escolhas, de adaptação. No entanto, sabemos que ser jovem é muito mais que ter pouca idade. É ter muita vida no coração, muita vontade de vencer, muita garra para ir a luta. Que este terço nos anime a seguir o exemplo de tantos jovens da Bíblia que lutaram e venceram


Primeiro Mistério: A história do jovem Davi (I Sm 16, 1-13)

Uma das coisas que mais entristece um jovem é não receber a confiança dos mais velhos. Há quem diga que o jovem é naturalmente irresponsável. Pelo jeito, Deus não pensa assim, pois confiou os momentos mais importantes da história da salvação a pessoas jovens. Vamos rezar e refletir sobre esta história do jovem Rei Davi.

Pai Nosso... Ave Maria...



Segundo Mistério: Uma jovem chamada Maria ((Lc 1, 30-38)

Se a história acontecesse nos nossos dias, Maria estaria cursando os primeiros anos do Ensino Médio. Não teria mais que 16 anos. E Deus colocou em suas mãos a decisão mais importante da história. É claro que este é um caso todo especial. Mas nos faz pensar na confiança que devemos ter em nossos jovens. Quantos deles estão em tempo de decisão. É preciso a fé e a coragem de Maria para dar um passo. Mas não sem antes questionar o significado das coisas, como fez a jovem de Nazaré. Juventude é tempo de questionamento, de fazer muitas perguntas. Mas no final de tudo é preciso ter também a disponibilidade de Maria.

Pai Nosso... Ave Maria...



Terceiro Mistério: A adolescência de Jesus (Lc 2, 41-52)

No início de sua adolescência, Jesus aparece com um destes meninos perguntadores: por que isso? Por que aquilo? Fazia também suas aventuras: deixou seus pais preocupados quando desapareceu no meio de uma excursão; Quem já não passou por essa situação? Não basta crescer em tamanho. Também não basta passar no vestibular e ser bem visto pelos outros. Não é suficiente crescer em sabedoria. O jovem precisa de um crescimento integral: no corpo, na mente, no coração...diante de Deus e diante da sociedade.

Pai Nosso... Ave Maria...



Quarto Mistério: Um jovem que disse não (Mt 19, 16-29)

Este jovem tem alguma coisa a ver com você? Um barco precisa soltar as amarras e jogar fora algum peso para avançar em direção ao alto mar. O que é que está pesando demais em seu coração? Será que essa não é a causa de muitas de suas tristezas?

Pai Nosso... Ave Maria...

                       

Quinto Mistério: Um jovem que disse sim

Se o jovem rico disse não e colheu tristeza, João disse sim e tornou-se símbolo de ternura, alegria e amor. O jovem João esteve presente em momentos marcantes da vida de Jesus. Porém, o que mais chama a atenção é que João, o mais jovem dos apóstolos, foi o único a seguir até a cruz. Esta fortaleza é o grande dom que pedimos nesta oração. Diante dos apelos da droga, da violência, da vida sexual irresponsável, da moda, e de tantos outros caminhos que conduzem à morte, o jovem é chamado a escolher o caminho da vida. Basta dar um passo...os outros virão!

Pai Nosso... Ave Maria...

Celebração no Centro de Detenção


CELEBRAÇÃO NO CENTRO DE DETENÇÃO (PENITENCIÁRIA)



Canto:

1- Eu venho do Sul e do Norte. Do Oeste e do Leste, de todo o lugar. Estrada da vida eu percorro, levando socorro a quem precisar. Assunto de paz é meu forte, eu cruzo montanhas e vou aprender. O mundo não me satisfaz, o que eu quero é a paz o que eu quero é viver.

Ref: No peito eu levo uma cruz, no meu coração, o que disse Jesus. (bis)

2- Eu sei que eu não tenho idade da maturidade de quem já viveu, mas sei que eu já tenho a idade de ver a verdade o que eu quero é ser eu. O mundo ferido e cansado de um negro passado de guerras sem fim, tem medo da bomba que fez, a fé que desfez mas aponta pra mim.

3-Eu venho trazer meu recado, não tenho passado mais sei entender. Um jovem foi crucificado por ter ensinado a gente a viver. Eu grito ao meu mundo descrente que eu
quero ser gente, que eu creio na cruz. Eu creio na força do jovem que segue o caminho
de Cristo Jesus.



Bispo: Em nome do Pai...

D. Caros filhos, Jovens, familiares é com grande alegria que trazemos até vocês, a Cruz que é Ícone da Jornada Mundial da Juventude, Cruz esta pela qual o próprio Cristo precisou passar para poder remir nossos pecados. Somos pecadores e indignos de estar na presença de Jesus, mas sendo Ele um Deus tão misericordioso nos ama e nos aceita diante do verdadeiro arrependimento de nossos corações.

Hoje, nesta manhã, é o Próprio Jesus que vem até nós e nos chama a conversão. Na presença desta Cruz, somos chamados a morrer para o pecado e renascermos para uma vida nova em Cristo Jesus. Façamos um instante de silêncio e diante da Cruz do Senhor examinemos nossos pecados e peçamos a Deus o arrependimento sincero de nosso coração para que possamos estar diante d’Ele.



D. Senhor que aceitastes a Cruz para redimir os nossos pecados tente piedade de nós.

T. Senhor tende piedade de nós.

D. Cristo, que na Cruz morreu salvando assim toda a humanidade, tende piedade de nós. T. Cristo tente piedade de nós.

D. Senhor, vós que é fonte de misericórdia infinita, pela vossa Cruz perdoa nossos pecados e tende piedade de nós. T. Senhor tende piedade de nós.



Aclamação ao Evangelho (Mt. 21, 31-45)

Aleluia, Aleluia a minh’alma abrirei. Aleluia, Aleluia Cristo é meu Rei (bis).



Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.  Então dirá o rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;  porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes;  estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.  Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber?  Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos?  Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te?  E responder-lhes-á o rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.  Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;  era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.  Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim.  E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.

Palavra da Salvação. Glória a Vós Senhor



(Cantemos)

Prova de amor maior não há / que doar a vida pelo irmão. (bis)

1. Eis que Eu vos dou o meu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado!”.

2. Vós sereis os meus amigos, se seguirdes meu preceito: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado!”.

3. Como o Pai sempre me ama, assim também Eu vos amei: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos tenho amado!”.



(Reflexão e partilha com os que estão aí presentes)



Bispo: Elevemos a Deus nossas preces neste dia de grande graça e glória.

1-Senhor da vida, que este símbolo de nossa fé que é a Cruz e este Ícone da Virgem Santíssima seja sinal de teu infinito Amor em todos os lugares por onde passar, nós te pedimos. R: Sede sinal de Amor para nós ó Senhor.

2- Pai de bondade, fortalecei nossos corações para que estejam preparados à tua espera, nós te pedimos Senhor.

3-Deus da vida, ensinai-nos a amar sem limites, para que assim sejamos menos indignos de estar na tua presença, nós te pedimos.

4-Pai de bondade, olha por todos aqueles que se encontram distante de Ti, para que eles possam reencontrar o verdadeiro sentido da vida que está em Ti, nós te pedimos.

5-Por este local de reabilitação, para que todos os que aqui se encontram, sintam sua presença real e façam a verdadeira experiência do Teu Amor, nós te pedimos.

(Pode haver preces espontâneas)

Pai Nosso...

Ave Maria...

Glória...

ORAÇÃO

Pai de misericórdia derramai sobre nós que somos vossos filhos teu infinito amor, pára que uma vez tendo experimento deste imenso Amor, jamais queiramos nos afastar de vós, mas sejamos para sempre amantes e seguidores de teus ensinamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

19 dezembro 2011

Bento XVI aos encarcerados: "Os presos são pessoas humanas que merecem ser tratadas como respeito e dignidade"

O Papa Bento XVI, neste último domingo de Advento, deixou nesta manhã o Vaticano para realizar uma visita ao novo Complexo da Penitenciária de Rebibbia, na periferia de Roma. Na estrutura de detenção, o encontro com os encarcerados teve lugar na Igreja do Pai Nosso. Nesta ocasião, o Papa respondeu algumas perguntas dos detentos e na conclusão abençoou uma árvore plantada diante da igreja como recordação da visita. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes no encontro.

Um evento muito esperado pelos detentos e pelos funcionários do cárcere, levando em consideração que a vida dentro dos institutos penais na Itália piorou sensivelmente nos últimos anos por causa da superlotação, da falta de funcionários, e da excessiva presença de estrangeiros e de pessoas provenientes das camadas mais baixas da sociedade, e do corte de verbas destinadas à gestão das estruturas penitenciárias.

No seu discurso aos presos do Papa antes de tudo falou da sua alegria e emoção em visitar os detentos, visita que se realiza a poucos dias do Natal.

“Estava na prisão e vieste me visitar” (Mt 25,36). As palavras do juízo final, narradas pelo evangelista Mateus, exprimem em plenitude o sentido da minha visita de hoje entre vocês. Portanto, onde se encontra um faminto, um estrangeiro, um doente, um encarcerado, ali se encontra Cristo mesmo que espera a nossa visita e a nossa ajuda. Essa é a razão principal que me deixa feliz em estar aqui, para rezar, dialogar e escutar”.

O próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus – continuou o Papa – fez a experiência do cárcere, foi submetido a um julgamento diante de um tribunal e padeceu a mais feroz condenação, a pena de morte. Recordando a sua recente viagem ao Benin, durante a qual assinou a Exortação Apostólica Pós-sinodal Africae munus (O compromisso da África) o Santo Padre destacou um trecho do documento no qual reafirma a atenção da Igreja pela justiça nos Estados:

“É preciso também banir os casos de erro da justiça e os maus tratos aos prisioneiros, as numerosas ocasiões de não aplicação da lei, que correspondem a uma violação dos direitos humanos, e as detenções que só tardiamente ou nunca chegam a um processo. A Igreja reconhece a sua missão profética junto de quantos acabam envolvidos pela criminalidade, sabendo da sua necessidade de reconciliação, de justiça e de paz . Os presos são pessoas humanas que, apesar do seu crime, merecem ser tratadas com respeito e dignidade; precisam da nossa solicitude”. (n.83)

A justiça humana e a divina – continuou Bento XVI – são muito diversas. Certamente, os homens não são capazes de aplicar a justiça divina, mas devem pelo menos olhar para ela, procurar colher o espírito profundo que a anima, para que ilumine também a justiça humana, para evitar – como ocorre certas vezes – que o preso se torne um excluído. Deus, de fato, é Aquele que proclama a justiça com força, mas que, ao mesmo tempo, cura as feridas com o bálsamo da misericórdia.

Justiça e misericórdia, justiça e caridade, preceitos da doutrina social da Igreja, são duas realidades diferentes somente para nós homens - disse ainda o Papa -, que distinguimos atentamente um ato justo de um ato de amor.

“Justo para nós é “o que é devido ao outro”, enquanto misericordioso é o que é doado por bondade. E uma coisa parece excluir a outra. Mas para Deus não é assim: n’Ele justiça e caridade coincidem; não há uma ação justa que não seja também ato de misericórdia e de perdão e, ao mesmo tempo, não existe uma ação misericórdiosa que não seja perfeitamente justa”.

Quão longe é a lógica de Deus da nossa! – sublinhou o Papa. E como é diferente do nosso modo o seu modo de agir! O Senhor nos convida a colher e observar o verdadeiro espírito da lei, para lhe dar pleno cumprimento no amor para aqueles que necessitam. “Pleno cumprimento da lei é o amor", escreve São Paulo: a nossa justiça será mais perfeita, se animada pelo amor a Deus e ao próximo.

O Papa destacou em seguida que o sistema de detenção gira em torno de dois pontos principais, ambos importantes: por um lado, proteger a sociedade contra eventuais ameaças, de outro reintegrar quem errou, sem pisotear a dignidade e excluí-lo da vida social. Ambos os aspectos têm a sua relevância e não devem criar um "abismo" entre a realidade na prisão e aquela pensada pela lei, que prevê como um elemento chave a função reeducadora da pena e o respeito dos direitos e da dignidade das pessoas. A vida humana pertence somente a Deus, que nos deu, e não é abandonada à mercê de ninguém, nem mesmo ao nosso livre arbítrio! Somos chamados a preservar a pérola preciosa da nossa vida e a dos outros.

O Papa sublinhou ainda que a superlotação e a degradação das prisões podem tornar ainda mais amarga a detenção: recebi várias cartas de presos que sublinham isso. É importante que as instituições promovam uma cuidadosa análise da situação da prisão hoje, verifiquem as estruturas, os recursos, o pessoal, de modo que os prisioneiros não cumpram jamais "uma dupla pena"; é importante promover um desenvolvimento do sistema carcerário, que respeitando a justiça, seja cada vez mais adequado às necessidades da pessoa humana, com a utilização também de penas não detentivas ou a modalidades diferentes de detenção.

O Papa conclui suas palavras recordando que celebramos o quarto domingo do tempo de Advento. O Natal do Senhor está próximo, e fez votos de que reacenda de esperança e de amor os corações. O Menino de Belém será feliz quando todos os homens retornarem a Deus com o coração renovado. “Vamos pedir-lhe no silêncio e na oração sermos todos liberados da prisão do pecado, da soberba e do orgulho; cada um tem necessidade de sair desta prisão interior para ser verdadeiramente livre do mal, das angústias e da morte. Somente aquele Menino deitado na manjedoura é capaz de doar a todos essa plena libertação!.

O Papa concluiu dizendo que a Igreja apoia e encoraja todos os esforços para garantir a todos uma vida digna e que está próxima a cada um deles, às suas famílias, aos seus filhos, aos seus jovens, aos seus anciãos e todos leva no coração diante de Deus. (SP)

Roma, 18 de Dezembro de 2011.

21 agosto 2011

JMJ - Celebração Eucarística de encerramento da XXVI JMJ


Queridos Jovens,
Pensei muito em vós, nestas horas em que não foi possível ver-nos. Espero que tenhais podido dormir um pouco, apesar dos rigores do clima. Tenho certeza que, nesta madrugada, tereis levantando, mais de uma vez, os olhos para céu, e não só os olhos, também o coração, e isso vos terá permitido rezar. Deus tira o bem em tudo. Com esta confiança, e sabendo que o Senhor nunca nos abandona, comecemos a nossa celebração eucarística cheios de entusiasmo e firmes na fé.
* * *
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Queridos jovens,
Com a celebração da Eucaristia, chegamos ao momento culminante desta Jornada Mundial da Juventude. Ao ver-vos aqui, vindos em grande número de todas as partes, o meu coração enche-se de alegria, pensando no afecto especial com que Jesus vos olha. Sim, o Senhor vos quer bem e vos chama seus amigos (cf. Jo 15, 15). Ele vem ter convosco e deseja acompanhar-vos no vosso caminho, para vos abrir as portas duma vida plena e tornar-vos participantes da sua relação íntima com o Pai. Pela nossa parte, conscientes da grandeza do seu amor, desejamos corresponder, com toda a generosidade, a esta manifestação de predilecção com o propósito de partilhar também com os demais a alegria que recebemos. Na actualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?
No evangelho que ouvimos (cf. Mt 16, 13-20), vemos representadas, de certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.
A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.
E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer, tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.
Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.
Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo.
Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua» Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.
Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.
Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus.
E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.
Queridos jovens, rezo por vós com todo o afecto do meu coração. Encomendo-vos à Virgem Maria, para que Ela sempre vos acompanhe com a sua intercessão materna e vos ensine e fidelidade à Palavra de Deus. Peço-vos também que rezeis pelo Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os seus irmãos. Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemos de dia para dia sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança. Amen.

© Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana

20 agosto 2011

JMJ - Vigília de Oração com os Jovens


Queridos amigos!
Saúdo-vos a todos, e de modo particular aos jovens que me formularam as perguntas, agradecendo-lhes a sinceridade com que expuseram as suas inquietações, que exprimem de certo modo o anseio de todos vós por alcançar algo de grande na vida, algo que vos dê plenitude e felicidade.
Mas, como pode um jovem ser fiel à fé cristã e continuar a aspirar a grandes ideais na sociedade actual? No evangelho que escutámos, Jesus dá-nos uma resposta a esta importante questão: «Assim como o Pai Me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor» (Jo 15, 9).
Sim, queridos amigos, Deus ama-nos. Esta é a grande verdade da nossa vida e que dá sentido a tudo o mais. Não somos fruto do acaso nem da irracionalidade, mas, na origem da nossa existência, há um projecto de amor de Deus. Assim permanecer no seu amor significa viver radicados na fé, porque esta não é a simples aceitação dumas verdades abstractas, mas uma relação íntima com Cristo que nos leva a abrir o nosso coração a este mistério de amor e a viver como pessoas que se sabem amadas por Deus.
Se permanecerdes no amor de Cristo, radicados na fé, encontrareis, mesmo no meio de contrariedades e sofrimentos, a fonte do júbilo e a alegria. A fé não se opõe aos vossos ideais mais altos; pelo contrário, exalta-os e aperfeiçoa-os. Queridos jovens, não vos conformeis com nada menos do que a Verdade e o Amor, não vos conformeis com nada menos do que Cristo.
Precisamente agora, quando a cultura relativista dominante renuncia e menospreza a busca da verdade, que é a aspiração mais alta do espírito humano, devemos propor, com coragem e humildade, o valor universal de Cristo como Salvador de todos os homens e fonte de esperança para a nossa vida. Ele, que tomou sobre si as nossas aflições, conhece bem o mistério do sofrimento humano e mostra a sua presença amorosa em todos aqueles que sofrem. Estes, por sua vez, unidos à paixão de Cristo, participam intimamente da Sua obra de redenção. Além disso, a nossa atenção desinteressada pelos doentes e aos desamparados, sempre será um testemunho humilde e silencioso do rosto compassivo de Deus.
Nesta vigília de oração, convido-vos a pedir a Deus que vos ajude a descobrir a vossa vocação na sociedade e na Igreja e a perseverar nela com alegria e fidelidade. Vale acolher dentro de nós o chamado de Cristo e seguir com coragem e generosidade o caminho que Ele nos proponha.
A muitos, o Senhor chama ao matrimónio, no qual um homem e uma mulher, formando uma só carne (cf. Gn 3, 24), se realizam numa profunda vida de comunhão. É um horizonte de vida ao mesmo tempo luminoso e exigente; um projecto de amor verdadeiro, que se renova e consolida cada dia, partilhando alegrias e dificuldades, e que se caracteriza por uma entrega da totalidade da pessoa. Por isso, reconhecer a beleza e bondade do matrimónio significa estar conscientes de que o âmbito adequado à grandeza e dignidade do amor matrimonial só pode ser um âmbito de fidelidade e indissolubilidade e também de abertura ao dom divino da vida.
A outros, diversamente, Cristo chama-os a segui-Lo mais de perto no sacerdócio ou na vida consagrada. Como é belo saber que Jesus vem à tua procura, fixa o seu olhar em ti e, com a sua voz inconfundível, diz também a ti: «Segue-Me» (cf. Mc 2, 14).
Queridos jovens, para descobrir e seguir fielmente a forma de vida a que o Senhor chama cada um de vós, é indispensável permanecer no seu amor como amigos. E, como se mantém a amizade se não com o trato frequente, o diálogo, o estar juntos e o partilhar anseios ou penas? Dizia Santa Teresa de Ávila que a oração não é outra coisa senão «tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com Quem sabemos que nos ama» (Livro da Vida, 8).
Convido-vos, pois, a ficardes agora em adoração a Cristo, realmente presente na Eucaristia; a dialogar com Ele, a expor na sua presença as vossas questões e a escutá-Lo. Queridos amigos, rezo por vos com toda a minha alma; suplico-vos que rezeis também por mim. Peçamos-Lhe, ao Senhor, nesta noite que, atraídos pela beleza do seu amor, vivamos sempre fielmente como seus discípulos. Amen.
Queridos amigos! Obrigado pela vossa alegria e pela vossa resistência! A vossa força é mais poderosa que a chuva. Obrigado! O Senhor, com a chuva, mandou-nos muitas bênçãos. Também nisto, sois um exemplo.
Saudação em francês
Queridos jovens francófonos, sede orgulhosos por ter recebido o dom da fé. Será ela a iluminar o vosso caminho em cada instante. Apoiai-vos igualmente sobre a fé dos vossos familiares, sobre a fé da Igreja! Pela fé, estamos fundados em Cristo; encontrai-vos com outros para a aprofundar, participai na Eucaristia, mistério por excelência da fé. Só Cristo pode dar resposta às aspirações que trazeis dentro de vós. Deixai-vos agarrar por Deus, para que a vossa presença na Igreja lhe dê um novo vigor!
Saudação em inglês
Queridos jovens, nestes momentos de silêncio diante do Santíssimo Sacramento, elevemos as nossas mentes e os nossos corações até Jesus Cristo, o Senhor das nossas vidas e do futuro. Que ele derrame sobre nós o Seu Espírito e sobre toda a Igreja para que sejamos um sinal luminoso de liberdade, reconciliação e paz para o mundo inteiro.
Saudação em alemão
Queridos jovens cristãos de língua alemã, no profundo do nosso coração desejamos aquilo que é grande e belo na vida! Não deixeis que os vossos desejos e anelos caiam no esquecimento, mas tornai-os firmes em Jesus Cristo. Ele mesmo é o fundamento que sustenta e o ponto de referência seguro para uma vida plena.
Saudação em italiano
Dirijo-me agora aos jovens de língua italiana. Queridos amigos, esta Vigília ficará como uma experiência inesquecível da vossa vida. Guardai a chama que Deus acendeu em vossos corações nesta noite: fazei com que não se apague, alimentai-a cada dia, partilhai-a com os vossos coetâneos que vivem na escuridão e procuram uma luz para o seu caminho. Obrigado! Até amanhã de manhã!
Saudação em português
Meus queridos amigos, convido cada um e cada uma de vós a estabelecer um diálogo pessoal com Cristo, expondo-Lhe as próprias dúvidas e sobretudo escutando-O. O Senhor está aqui e chama-te! Jovens amigos, vale a pena ouvir dentro de nós a Palavra de Jesus e caminhar seguindo os seus passos. Pedi ao Senhor que vos ajude a descobrir a vossa vocação na vida e na Igreja, e a perseverar nela com alegria e fidelidade, sabendo que Ele nunca vos abandona nem atraiçoa! Ele está connosco até ao fim do mundo
Saudação em polaco
Queridos jovens amigos vindos da Polónia! Esta nossa vigília de oração está permeada pela presença de Cristo. Seguros do seu amor e com a chama da vossa fé, aproximai-vos d’Ele. Encher-vos-á da sua vida. Edificai a vossa vida sobre Cristo e o seu evangelho. De coração, vos abençoo.
* * *
Queridos jovens!
Tivemos uma aventura juntos. Firmes na fé em Cristo, resististes à chuva. Antes de ir embora, quero desejar-vos a todos uma boa noite. Que possais descansar bem. Obrigado pelo sacrifício que estais fazendo e, não duvido, que estais oferecendo generosamente ao Senhor. Vemo-nos amanhã. Agradeço-vos pelo exemplo maravilhoso que destes. Como aconteceu nesta noite, com Cristo podereis sempre enfrentar as provas da vida. Não o esqueçais! Obrigado a todos!

© Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana

19 agosto 2011

JMJ - Encontro com Jovens Religiosas

SAUDAÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Mosteiro de São Lourenço do Escorial
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011


Queridas jovens religiosas!

No âmbito da Jornada Mundial da Juventude que estamos celebrando, sinto uma grande alegria por poder encontrar-me convosco, que consagrastes a vossa juventude ao Senhor, e agradeço-vos a amável saudação que me dirigistes. Agradeço ao Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid por ter previsto este encontro num ambiente tão evocativo como é o do Mosteiro de São Lourenço do Escorial. Se a sua famosa Biblioteca guarda importantes edições da Sagrada Escritura e de Regras Monásticas de várias Famílias Religiosas, a vossa vida de fidelidade à vocação recebida é também uma maneira preciosa de guardar a Palavra do Senhor, que ressoa nas vossas formas de espiritualidade.

Queridas irmãs, cada carisma é uma palavra evangélica que o Espírito Santo recorda à sua Igreja (cf. Jo 14, 26). Não é em vão que a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida. Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma “exegese” viva da Palavra de Deus. (…) Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão, dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica» (Exort. apostólica Verbum Domini, 83).

A radicalidade evangélica é estar «enraizados e edificados em Cristo, e firmes na fé» (cf. Col 2, 7), que, na vida consagrada, significa ir à raiz do amor a Jesus Cristo com um coração indiviso, sem nada antepor a esse amor (cf. São Bento, Regra, IV, 21), com uma doação esponsal como viveram os santos, vivida segundo o estilo de Rosa de Lima e Rafael Arnáiz, jovens patronos desta Jornada Mundial da Juventude. O encontro pessoal com Cristo que alimenta a vossa consagração deve revelar-se, com toda a sua força transformadora, nas vossas vidas; e adquire uma especial relevância hoje, quando se «constata uma espécie de “eclipse de Deus”, uma certa amnésia, senão mesmo uma verdadeira rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder a própria identidade profunda» (Mensagem para a XXVI Jornada Mundial da Juventude de 2011, 1). Face ao relativismo e à mediocridade, surge a necessidade desta radicalidade que testemunha a consagração como uma pertença a Deus sumamente amado.

A referida radicalidade evangélica da vida consagrada exprime-se na comunhão filial com a Igreja, casa dos filhos de Deus que Cristo edificou: a comunhão com os Pastores, que propõem, em nome do Senhor, o depósito da fé recebido através dos Apóstolos, do Magistério da Igreja e da tradição cristã; a comunhão com a vossa Família Religiosa, conservando agradecidas o seu genuíno património espiritual e apreciando também os outros carismas; a comunhão com outros membros da Igreja como os leigos, chamados a testemunharem a partir da sua específica vocação o mesmo evangelho do Senhor.

Finalmente a radicalidade evangélica exprime-se na missão que Deus vos quis confiar. Desde a vida contemplativa que, na própria clausura, acolhe a Palavra de Deus em silêncio eloquente e adora a sua beleza na solidão por Ele habitada, até aos mais diversos caminhos de vida apostólica, em cujos sulcos germina a semente evangélica na educação das crianças e jovens, no cuidado dos doentes e idosos, no acompanhamento das famílias, no compromisso a favor da vida, no testemunho da verdade, no anúncio da paz e da caridade, no trabalho missionário e na nova evangelização, e em muitos outros campos do apostolado eclesial.

Queridas irmãs, este é o testemunho da santidade a que Deus vos chama, seguindo de perto e incondicionalmente Jesus Cristo na consagração, na comunhão e na missão. A Igreja precisa da vossa fidelidade jovem, arraigada e edificada em Cristo. Obrigado pelo vosso “sim” generoso, total e perpétuo à chamada do Amado. Que Virgem Maria sustente e acompanhe a vossa juventude consagrada, com o ardente desejo de que interpele, encoraje e ilumine todos os jovens.

Com estes sentimentos, peço a Deus que recompense abundantemente a generosa contribuição da vida consagrada para esta Jornada Mundial da Juventude, e em seu nome vos abençoo de todo o coração. Muito obrigado.



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JMJ - Via-Sacra com os Jovens

ALOCUÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Praça de Cibeles, Madrid
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011



Queridos jovens!

Com piedade e fervor, celebrámos esta Via-Sacra, acompanhando Cristo na sua Paixão e Morte. As reflexões das Irmãzinhas da Cruz, que servem aos mais pobres e desvalidos, facilitaram-nos a entrada nos mistérios da gloriosa Cruz de Cristo, que encerra a verdadeira sabedoria de Deus, aquela que julga o mundo e quantos se crêem sábios (cf. 1 Cor 1, 17-19). Neste itinerário para o Calvário, ajudou-nos também a contemplação destas imagens extraordinárias do património religioso das dioceses espanholas. São imagens onde se harmonizam a fé e a arte para chegar ao coração do homem e convidá-lo à conversão. Quando é límpido e autêntico o olhar da fé, a beleza coloca-se ao seu serviço e é capaz de representar os mistérios da nossa salvação a ponto de nos tocar profundamente e transformar o nosso coração, como sucedeu a Santa Teresa de Ávila ao contemplar uma imagem de Cristo coberto de chagas (cf. Livro da Vida, 9, 1).

À medida que íamos avançando com Jesus até chegar ao cimo da sua entrega no Calvário, vinham-nos à mente as palavras de São Paulo: «Cristo amou-me e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gal 2, 20). À vista de um amor assim desinteressado, cheios de admiração e reconhecimento perguntamo-nos agora: Que havemos nós de fazer por Ele? Que resposta Lhe daremos? São João no-lo diz claramente: «Foi com isto que conhecemos o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). A paixão de Cristo incita-nos a carregar sobre os nossos ombros o sofrimento do mundo, com a certeza de que Deus não é alguém distante ou alheio ao homem e às suas vicissitudes; pelo contrário, fez-Se um de nós «para poder padecer com o homem, de modo muito real, na carne e no sangue (…). A partir de lá entrou em todo o sofrimento humano alguém que partilha o sofrimento e a sua suportação; a partir de lá propaga-se em todo o sofrimento a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança» (Spe salvi, 39).

Queridos jovens, que o amor de Cristo por nós aumente a vossa alegria e vos anime a permanecer junto dos menos favorecidos. Vós que sois tão sensíveis à ideia de partilhar a vida com os outros, não passeis ao largo quando virdes o sofrimento humano, pois é aí que Deus vos espera para dardes o melhor de vós mesmos: a vossa capacidade de amar e de vos compadecerdes. As diversas formas de sofrimento, que foram desfilando diante dos nossos olhos ao longo da Via-Sacra, são apelos do Senhor para edificarmos as nossas vidas seguindo os seus passos e para nos tornarmos sinais do seu conforto e salvação. «Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o mesmo homem» (Ibid., 39).

Oxalá saibamos acolher estas lições e pô-las em prática. Com tal finalidade, olhemos para Cristo, suspenso no duro madeiro, e peçamos-Lhe que nos ensine esta misteriosa sabedoria da cruz, graças à qual vive o homem. A cruz não foi o desfecho de um fracasso, mas o modo de exprimir a entrega amorosa que vai até à doação máxima da própria vida. O Pai quis amar os homens no abraço do seu Filho crucificado por amor. Na sua forma e significado, a cruz representa esse amor do Pai e de Cristo pelos homens. Nela reconhecemos o ícone do amor supremo, onde aprendemos a amar o que Deus ama e como Ele o faz: esta é a Boa Nova que devolve a esperança ao mundo.

Voltemos agora os nossos olhos para a Virgem Maria, que nos foi entregue por Mãe no Calvário, e supliquemos-Lhe que nos apoie com a sua amorosa protecção no caminho da vida, particularmente quando passarmos pela noite da dor, para conseguirmos permanecer como Ela firmes ao pé da cruz. Muito obrigado.

18 agosto 2011

JMJ - Festa de Acolhimento

Queridos jovens amigos!

É uma alegria imensa encontrar-me aqui convosco, no centro da bela cidade de Madrid, cujas chaves o Senhor Alcaide teve a amabilidade de me entregar. Hoje é também a capital dos jovens do mundo, para qual se voltam os olhos da Igreja inteira. O Senhor congregou-nos aqui para vivermos nestes dias a bela experiência da Jornada Mundial da Juventude. Com a vossa presença e participação nas celebrações, o nome de Cristo ressoará por todos os cantos desta ilustre cidade. E rezamos para que a sua mensagem de esperança e de amor tenha eco também no coração daqueles que não crêem ou se afastaram da Igreja. Muito obrigado pelo estupendo acolhimento que me dispensastes ao entrar na cidade, sinal da vossa estima e proximidade ao Sucessor de Pedro.

Saúdo o Senhor Cardeal Estanislau Rylko, Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, e os seus colaboradores neste Dicastério, reconhecido por todo o trabalho realizado. De igual modo agradeço ao Senhor Cardeal António Maria Rouco Varela, Arcebispo de Madrid, pelas suas amáveis palavras e o esforço da sua arquidiocese, juntamente com as restantes dioceses da Espanha, para preparar esta Jornada Mundial da Juventude, para a qual se trabalhou com generosidade também noutras Igreja particulares do mundo inteiro. Agradeço às autoridades nacionais, autonómicas e locais a sua amável presença e a sua generosa colaboração para o bom andamento deste grande acontecimento. Obrigado aos Irmãos no Episcopado, aos sacerdotes, seminaristas, pessoas consagradas e fieis que estão aqui presentes e vieram para acompanhar os jovens na vivência destes dias intensos de peregrinação ao encontro de Cristo. A todos saúdo cordialmente no Senhor e repito que é uma grande felicidade encontrar-me aqui com todos vós. Que a chama do amor de Cristo nunca se apague nos vossos corações.

Saudação em francês

Queridos jovens francófonos, correspondestes numerosos ao apelo do Senhor para O vir encontrar em Madrid. Parabéns! Bem-vindos à Jornada Mundial da Juventude! Trazeis dentro de vós questões, e procurais respostas. É bom não parar de procurar. Procurai sobretudo a Verdade que não é uma ideia, nem uma ideologia nem um slogan, mas uma Pessoa, Cristo, o próprio Deus vindo ao meio dos homens! Tendes razão em querer radicar n’Ele a vossa fé, querer fundar a vossa vida em Cristo. Ele vos ama desde sempre e conhece melhor do que ninguém. Possam estes dias, ricos de oração, de ensinamento e de encontros, ajudar-vos a descobri-Lo ainda mais para melhor O amardes. Que Cristo vos acompanhe durante este tempo forte, em que iremos, todos juntos, celebrá-Lo e rezar-Lhe.

Saudação em inglês

Estendo uma saudação afectuosa aos numerosos jovens de língua inglesa vindos a Madrid. Possam estes dias de oração, amizade e celebração estreitar-nos uns aos outros e ao Senhor Jesus. Mantende a confiança na palavra de Cristo como alicerce da vossa vida! Enraizados e edificados n’Ele, firmes na fé e abertos ao poder do Espírito, encontrareis o vosso lugar no plano de Deus e enriquecereis a Igreja com os vossos dons. Rezemos uns pelos outros, para podermos ser jubilosas testemunhas de Cristo, hoje e sempre. Deus vos abençoe a todos!

Saudação em alemão

Caros amigos de língua alemã! Saúdo todos vós. Estou contente com a vossa presença tão numerosa. Nestes dias, queremos juntos professar, aprofundar e transmitir a nossa fé em Cristo. Experimentamos mais uma vez: é Ele que verdadeiramente dá o sentido da nossa vida. Abramos o coração a Cristo. E que Ele nos concede um tempo cheio de felicidade e de graças em Madrid.

Saudação em italiano

Queridos jovens italianos! Com grande afecto, vos saúdo e me alegro com a vossa participação numerosa e animada pela alegria da fé. Vivei estes dias com espírito de intensa oração e fraternidade, dando testemunho da vitalidade da Igreja na Itália, das paróquias, associações, movimentos. Partilhai com todos esta riqueza. Obrigado!

Saudação em português

Queridos jovens dos diversos países de língua oficial portuguesa e quantos vos acompanham, bem-vindos a Madrid! A todos saúdo com grande amizade e convido a subir até à fonte eterna da vossa juventude e conhecer o protagonista absoluto desta Jornada Mundial e – espero – da vossa vida: Cristo Senhor. Nestes dias, ouvireis pessoalmente ressoar a sua Palavra. Deixai que esta Palavra penetre e crie raízes nos vossos corações, e sobre ela edificai a vossa vida. Firmes na fé, sereis um elo na grande cadeia dos fiéis. Não se pode crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé. A Igreja precisa de vós, e vós precisais da Igreja.

Saudação em polaco

Saúdo os jovens vindos da Polónia, concidadãos do Beato João Paulo II, o iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude. Alegro-me pela vossa presença aqui em Madrid! Desejo-vos dias estupendos, dias de oração e de consolidação da vossa união com Jesus. Que vos guie o Espírito de Deus.



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JMJ - Cerimônia de boas-vindas

Majestades,
Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid,
Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Distintas Autoridade Nacionais, Autonómicas e Locais,
Querido povo de Madrid e da Espanha inteira!


Obrigado, Majestade, pela sua presença aqui, juntamente com a Rainha, e pelas palavras deferentes e amigas de boas-vindas que me dirigiu. Palavras que me fazem reviver as inesquecíveis demonstrações de simpatia recebidas nas minhas anteriores visitas apostólicas a Espanha, e de modo muito particular na minha recente viagem a Santiago de Compostela e a Barcelona. Saúdo cordialmente todos vós que vos encontrais reunidos aqui em Barajas, e quantos acompanham esta cerimónia através do rádio e da televisão. Uma menção muito agradecida desejo fazer aos que com tanto zelo e dedicação, nas instituições eclesiais e civis, contribuíram com o seu esforço e trabalho para que esta Jornada Mundial da Juventude em Madrid decorra em boa ordem e se cubra de abundantes frutos.

Desejo também agradecer de todo o coração a hospitalidade de tantas famílias, paróquias, colégios e outras instituições que acolheram os jovens vindos de todo o mundo, primeiro nas diversas regiões e cidades da Espanha e agora nesta grande cidade de Madrid, cosmopolita e sempre de portas abertas.

Venho aqui para me encontrar com milhares de jovens de todo o mundo, católicos, interessados por Cristo ou à procura da verdade que dê sentido genuíno à sua existência. Chego como Sucessor de Pedro para confirmar todos na fé, vivendo alguns dias de intensa actividade pastoral para anunciar que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Para animar o compromisso de construir o Reino de Deus no mundo, no meio de nós. Para exortar os jovens a encontrarem-se pessoalmente com Cristo Amigo e assim, radicados na sua Pessoa, converterem-se em seus fiéis seguidores e valorosas testemunhas.

Esta multidão de jovens que veio a Madrid… porque e para que vieram? Embora a resposta deva ser dada por eles próprios, pode-se entretanto pensar que desejam escutar a Palavra de Deus, como lhes foi proposto no lema para esta Jornada Mundial da Juventude, de tal maneira que, arraigados e edificados em Cristo, manifestem a firmeza da sua fé.

Muitos deles talvez tenham ouvido a voz de Deus apenas como um leve sussurro, que os impeliu a procurá-Lo mais diligentemente e a partilhar com outros a experiência da força que tem na suas vidas. Esta descoberta do Deus vivo revigora os jovens e abre os seus olhos para os desafios do mundo onde vivem, com as suas possibilidades e limitações. Vêem a superficialidade, o consumismo e o hedonismo imperantes, tanta banalidade na vivência da sexualidade, tanto egoísmo, tanta corrupção. E sabem que, sem Deus, seria difícil afrontar estes desafios e ser verdadeiramente felizes, colocando para isso todo o entusiasmo na consecução duma vida autêntica. Mas, com Ele a seu lado, terão luz para caminhar e razões para esperar, não se detendo nem mesmo diante dos ideais mais altos, que hão-de motivar os seus generosos compromissos para a construção de uma sociedade onde se respeite a dignidade humana e uma efectiva fraternidade. Aqui, nesta Jornada, têm uma ocasião privilegiada para colocar em comum as suas aspirações, trocar reciprocamente a riqueza das suas culturas e experiências, animar-se mutuamente num caminho de fé e de vida, no qual alguns se julgam sozinhos ou ignorados nos seus ambientes quotidianos. Mas não! Não estão sozinhos. Muitos da sua idade partilham os mesmos propósitos deles e, confiando inteiramente em Cristo, sabem que têm realmente um futuro à sua frente e não temem os compromissos decisivos que preenchem toda a vida. Por isso me dá imensa alegria poder escutá-los, rezarmos juntos e celebrar a Eucaristia com eles. A Jornada Mundial da Juventude traz-nos uma mensagem de esperança, como uma brisa de ar puro e juvenil, com aromas renovadores que nos enchem de confiança face ao amanhã da Igreja e do mundo.

Não faltam, certamente, dificuldades. Subsistem tensões e confrontos em aberto em muitos lugares do mundo, inclusive com derramamento de sangue. A justiça e o sublime valor da pessoa humana facilmente se curvam a interesses egoístas, materiais e ideológicos. Não sempre se respeita, como é devido, o meio ambiente e a natureza, que Deus criou com tanto amor. Além disso, muitos jovens olham com preocupação para o futuro diante da dificuldade de encontrar um trabalho digno, ou por terem perdido o emprego, ou por ser este muito precário. Há outros que precisam de prevenção para não cair na rede das drogas, ou de uma ajuda eficaz, caso desgraçadamente já tenham caído nela. Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.

Neste contexto, é urgente ajudar os jovens discípulos de Jesus a permanecerem firmes na fé e a assumirem a maravilhosa aventura de anunciá-la e testemunhá-la abertamente com a sua própria vida. Um testemunho corajoso e cheio de amor pelo homem irmão, ao mesmo tempo decidido e prudente, sem ocultar a própria identidade cristã, num clima de respeitosa convivência com outras legítimas opções e exigindo ao mesmo tempo o devido respeito pelas próprias.

Majestade, ao renovar-lhes o meu agradecimento pelas deferentes boas-vindas que me proporcionaram, desejo exprimir também o meu apreço e proximidade a todos os povos de Espanha, bem como a minha admiração por um País tão rico de história e cultura, pela vitalidade da sua fé, que frutificou em tantos santos e santas de todas as épocas, em numerosos homens e mulheres que, deixando a sua terra, levaram o Evangelho a todos os cantos do mundo, e em pessoas rectas, solidárias e bondosas por todo o seu território. Trata-se de um grande tesouro, que vale a pena, sem dúvida, cuidar com atitude construtiva, para o bem comum de hoje e para oferecer um horizonte luminoso ao porvir das novas gerações. Embora actualmente haja motivos de preocupação, maior é a solicitude dos espanhóis pela sua superação com esse dinamismo que os caracteriza e para o qual contribuem imenso as suas profundas raízes cristãs, muito fecundas ao longo dos séculos.

Daqui saúdo com grande cordialidade todos os queridos amigos espanhóis e madrilenos, e quantos vieram de outras terras. Durante estes dias estarei junto de vós, mas tendo também muito presente todos os jovens do mundo, particularmente os que atravessam provações de diversa índole. Ao confiar este encontro à Santíssima Virgem Maria e à intercessão dos Santos protectores desta Jornada, peço a Deus que abençoe e proteja sempre os filhos da Espanha. Muito obrigado.

04 agosto 2011

Youcat

Na Mochila do peregrino receberemos um Youcat, um catecismo voltado para os jovens. Bento XVI nos fala sobre o Youcat nessa mensagem:

Queridos jovens amigos! Hoje aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.

É extraordinário pelo seu conteúdo mas também pelo modo em que se formou, que desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender a sua particularidade. Youcat teve origem, por assim dizer, de outra obra que remonta aos anos 80. Era um período difícil para a Igreja e para a sociedade mundial, durante o qual surgiu a necessidade de novas orientações para encontrar o caminho rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mudado clima cultural, muitas pessoas já não sabiam correctamente no que os cristãos deveriam acreditar exactamente, o que a Igreja ensinava, se ela podia ensinar algo tout court e como tudo isto podia adaptar-se ao novo clima cultural.
O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente? Estas são as questões que muitos cristãos se formulam até nos nossos dias. O Papa João Paulo II optou então por uma decisão audaz: deliberou que os bispos do mundo inteiro escrevessem um livro com o qual responder a estas perguntas.
Ele confiou-me a tarefa de coordenar o trabalho dos bispos e de vigiar a fim de que das suas contribuições nascesse um livro - quero dizer, um livro verdadeiro e não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia ter o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica e todavia ser algo absolutamente estimulante e novo; devia mostrar no que a Igreja Católica crê hoje e de que maneira se pode acreditar de modo racional. Assustei-me com esta tarefa e devo confessar que duvidei que algo semelhante pudesse ter bom êxito. Como podia acontecer que autores espalhados pelo mundo pudessem produzir um livro legível?
Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não só sob o ponto de vista geográfico, mas inclusive intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes?
A isto acrescentava-se o facto de que os bispos deviam escrever não simplesmente como autores individuais, mas em representação dos seus irmãos e das suas Igrejas locais.

Devo confessar que até hoje me parece um milagre o facto de que este projecto no final se realizou. Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano por uma semana e debatemos apaixonadamente sobre cada parte do texto, na medida em que se desenvolvia.
Como primeira atitude definimos a estrutura do livro: devia ser simples, para que cada grupo de autores pudesse receber uma tarefa clara e não forçar as suas afirmações num sistema complicado. É a mesma estrutura deste livro; ela é tirada simplesmente de uma experiência catequética de um século: o que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que maneira temos a vida em Cristo / de que forma devemos rezar. Não quero explicar aqui o modo como debatemos sobre a grande quantidade de questões, até chegar a compor um livro verdadeiro. Numa obra deste género são muitos os pontos discutíveis: tudo o que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e não obstante, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir das muitas vozes pôde-se formar um coro porque tínhamos a comum partitura da fé, que a Igreja nos transmitiu desde os apostólos, através dos séculos até hoje.
Por que tudo isto?
Desde a redacção do CIC, tivemos que constatar que não só os continentes e as culturas das suas populações são diferentes, mas também no âmbito de cada sociedade existem diversos "continentes": o trabalhador tem uma mentalidade diferente do camponês; um físico de um filólogo; um empresário de um jornalista, um jovem de um idoso. Por este motivo, na linguagem e no pensamento, tivemos que nos colocar acima de todas estas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isto tornamo-nos cada vez mais conscientes do modo como o texto exigia algumas "traduções" nos diversos mundos, para poder alcançar as pessoas com as suas mentalidades diferentes e várias problemáticas. Desde então, nas jornadas mundiais da juventude (Roma, Toronto, Colónia, Sydney) reuniram-se jovens de todo o mundo que querem acreditar, que estão em busca de Deus, que amam Cristo e desejam caminhos comuns. Neste contexto perguntámo-nos se não deveríamos traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no seu mundo. Naturalmente, também entre os jovens de hoje existem muitas diferenças; assim, sob a comprovada guia do arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, formou-se um Youcat para os jovens. Espero que muitos se deixem cativar por este livro.

Algumas pessoas dizem-me que o catecismo não interessa à juventude moderna; mas não acredito nesta afirmação e estou certo de que tenho razão. A juventude não é tão superficial como é acusada de o ser; os jovens querem saber deveras no que consiste a vida. Um romance policial é empolgante porque nos envolve no destino de outras pessoas, mas que poderia ser também o nosso; este livro é cativante porque nos fala do nosso próprio destino e portanto refere-se de perto a cada um de nós.
Por isso, exorto-vos: estudai o catecismo! Estes são os meus votos de coração.

Este subsídio ao catecismo não vos adula; não oferece fáceis soluções; exige uma nova vida da vossa parte; apresenta-vos a mensagem do Evangelho como a "pérola de grande valor" (Mt 13, 45) pela qual é preciso dar tudo. Portanto, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo por ele! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o em dois, se sois amigos, formai grupos e redes de estudo, trocai ideias na internet. Permanecei de qualquer modo em diálogo sobre a vossa fé!

Deveis conhecer aquilo em que credes; deveis conhecer a vossa fé com a mesma exactidão com a qual um perito de informática conhece o sistema operativo de um computador; deveis conhecê-la como um músico conhece a sua peça; sim, deveis ser muito mais profundamente radicados na fé do que a geração dos vossos pais, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade da ajuda divina, se a vossa fé não quiser esgotar-se como uma gota de orvalho ao sol, se não quiserdes ceder às tentações do consumismo, se não quiserdes que o vosso amor afogue na pornografia, se não quiserdes trair os débeis e as vítimas de abusos e violência.

Se vos dedicardes com paixão ao estudo do catecismo, gostaria de vos dar ainda um último conselho: sabei todos de que modo a comunidade dos fiéis recentemente foi ferida por ataques do mal, pela penetração do pecado no seu interior, aliás, no coração da Igreja. Não tomeis isto como pretexto para fugir da presença de Deus; vós próprios sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor a esta Igreja todas as vezes que os homens obscurecerem o seu rosto. "Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do Senhor" (Rm 12, 11).

Quando Israel se encontrava no ponto mais obscuro da sua história, Deus chamou em seu socorro não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; ele sentiu-se chamado a uma missão demasiado grande: "Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!" (Jr 1, 6). Mas Deus replicou: "Não digas: sou ainda muito novo - porquanto irás aonde Eu te enviar, e dirás o que Eu te mandar" (Jr 1, 7).

Abençoo-vos e rezo cada dia por todos vós.

BENTO PP. XVI

03 agosto 2011

A Cruz é o ícone da JMJ

É conhecida como a "Cruz do Ano Santo", a "Cruz do Jubileu", a "Cruz da JMJ", a "Cruz Peregrina"; muitos chamam-lhe a "Cruz dos Jovens", porque foi entregue aos jovens para que a levassem por todo o mundo, a todos os lugares e em todo o tempo. Esta é a sua história:

Decorria em 1984 o Ano Santo da Redenção, quando o Papa João Paulo II decidiu que deveria estar uma cruz - como símbolo da fé - junto do Altar-mor da Basílica de São Pedro que todos pudessem ver. Assim, foi aí colocada uma grande Cruz de madeira, com 3,8 metros de altura, tal como ele desejava.

No final do Ano Santo, depois de fechar a Porta Santa, o Papa entregou essa mesma Cruz à juventude do Mundo, representada pelos jovens do Centro Internacional Juvenil São Lourenço, em Roma. Estas foram as suas palavras naquele momento: "Queridos jovens, ao encerrar o Ano Santo, confio-vos o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a pelo mundo como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção" (Roma, 22 de Abril de 1984).

Os Jovens acolheram o desejo do Santo Padre. Levaram a Cruz para o Centro São Lourenço, que se converteu na sua morada habitual durante os períodos em que ela não estava em peregrinação pelo mundo.

Em 2003, no final da Missa dos Ramos, João Paulo II quis oferecer aos jovens uma cópia do ícone de Maria Salus Populi Romani: "À delegação que veio da Alemanha eu entrego hoje também o ícone de Maria. De hoje em diante, juntamente com a Cruz, este ícone acompanhará as Jornadas Mundiais da Juventude. Será sinal da presença materna de Maria junto aos jovens, chamados, como o apóstolo São João, a acolhê-la em suas vidas" (Angelus, XVIII Jornada Mundial da Juventude, 13 de Abril de 2003). A versão original do ícone está na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

Muitos são os testemunhos de pessoas que foram profundamente tocadas pelo encontro com a Cruz: nos últimos anos, esses testemunhos foram ainda mais numerosos ou, quem sabe, tiveram uma maior difusão através da internet. Estes podem encontrar-se no Centro Internacional São Lourenço, morada habitual da Cruz, mas também em revistas e publicações dedicadas à JMJ. Alguns perguntam-se como é que duas peças de madeira podem ter tal efeito sobre a vida de uma pessoa; apesar disso, onde quer que vá a Cruz, as pessoas pedem que ela possa regressar. Nesta Cruz vê-se a presença do Amor de Deus. Através desta Cruz, muitos jovens chegam a compreender melhor a Ressurreição e alguns reconhecem o valor de tomar decisões a respeito da sua vida.

PERCURSO DA CRUZ E DO ÍCONE PELO MUNDO:

1984 - Motivado pelo Ano Santo da Redenção, o Papa João Paulo II decidiu colocar uma cruz de quase 4 metros de altura perto do Altar-mor da basílica de São Pedro. Ao finalizar o Ano Santo, entregou-a aos jovens do mundo com estas palavras: "Levai-a pelo mundo como sinal do amor do Senhor Jesus".

1985 - Ao ouvir as noticias das primeiras viagens da Cruz, o Papa pede que seja levada a Praga, ainda sob a cortina de ferro. Nesse ano celebrava-se o Ano Internacional da Juventude da ONU e, no Domingo de Ramos, 300.000 jovens participaram num encontro com o Papa, em São Pedro. Em Dezembro, anunciou-se a instituição das Jornadas Mundiais da Juventude em cada Domingo de Ramos.

1987 - Celebra-se a primeira JMJ fora de Roma, em Buenos Aires - Argentina. A Cruz pisa a América pela primeira vez.

1989 - A Cruz visita Espanha pela primeira vez, para a JMJ de Santiago de Compostela; e Ásia.

1992 - A Cruz é confiada pela primeira vez aos jovens da Diocese que será sede da próxima JMJ (Denver - Estados Unidos); visita também a Austrália pela primeira vez.

2002 - Fazendo uma paragem na sua peregrinação pelo Canadá, a Cruz dos jovens visita o Grown Zero de Nova York. Foi levada desde Montreal a Toronto a pé, num trajecto que durou 43 dias.

2003 - No final da Missa de Ramos, na qual os jovens canadianos a entregaram aos alemães para a JMJ de Colónia, o Papa entregou também uma cópia do ícone de Maria Salus Populi Romani e, desde então, peregrinam juntos a Cruz e o Ícone.

2006-2007 - Antes de chegar à Austrália, para a JMJ de 2008, a Cruz e o Ícone percorreram vários países da Ásia, África e Europa.

2008-2010 - A Cruz peregrinou por diferentes lugares, como a Aquila (Itália), depois do terramoto que assolou a região dos Abruzzos. Durante a celebração na Praça de São Pedro, no Domingo de Ramos de 2009, Bento XVI entregou a Cruz e o Ícone da JMJ aos Jovens madrilenos, que peregrinaram até Roma para a ocasião.

Na actualidade, a Cruz e o ícone da JMJ encontram-se em peregrinação pela Arquidiocese de Madrid, para posteriormente o fazerem pelas dioceses espanholas.

02 agosto 2011

Você sabe o que é a JMJ?

O que é a JMJ?

A Jornada Mundial da Juventude é um grande encontro de jovens de todo o mundo que se reúnem para celebrar e aprender mais sobre a sua fé. É um dos principais meios pelos quais a Igreja proclama a mensagem de Cristo aos jovens mostrando, também, preocupação por eles.

Quem Convoca e Organiza a JMJ?

O Papa. O Santo Padre escolhe o tema, entrega uma mensagem explicando o seu sentido e convoca os jovens de todo o mundo. A JMJ é, então, organizada pelo Conselho Pontifício para os Leigos que é o departamento do Vaticano a quem o Santo Padre confiou o planeamento da Jornada Mundial da Juventude. Adicionalmente, existe uma Comissão Organizadora local que trabalha em próxima colaboração com o Conselho Pontifício para os Leigos.

Quando e como começaram as JMJ?

João Paulo II começou as JMJ em 1985. De entre as várias celebrações dedicadas à juventude durante o Jubileu de 1983-1984, designado Ano Santo da Redenção em memória da morte de Jesus Cristo 1950 anos antes, o mais importante teve lugar na Vigília de Domingo de Ramos em Roma. Mais de 300.000 jovens de todo o mundo participaram no Jubileu Internacional para a Juventude, onde o Papa lhes ofereceu uma cruz de madeira.

Quando as Nações Unidas declararam 1985 o Ano Internacional da Juventude, a Igreja Católica organizou outro evento internacional no Domingo de Ramos, a 31 de Março, juntando 350.000 jovens na Praça de São Pedro. Na sequência deste evento, o Papa instituiu a Jornada Mundial da Juventude com frequência anual. Desta forma, a JMJ foi um desejo e uma iniciativa de João Paulo II. O acontecimento foi incrivelmente bem acolhido, como se pode comprovar pelo massivo número de jovens que acorreu a Roma para os encontros internacionais em 1984 e 1985.

Onde Ocorreu a JMJ no passado?

Buenos Aires (1987), com a participação de um milhão de jovens; Santiago de Compostela (1989), com mais de 500.000; Czestochowa (1991), com 1.600.000; Denver (1993), com 600.000; Manila (1995), com aproximadamente 4 milhões; Paris (1997), com 1,2 milhões; Roma (Jubileu 2000), com 2 milhões; Toronto (2002), com 800.000; Colónia (2005), com 1,1 milhões; e Sydney (2008), com 400.000.

29 outubro 2010

Defender os valores fundamentais, um ato democrático.

Segue na íntegra o discurso do Papa aos bispos do Regional Nordeste 5 (formado pelo Estado do Maranhão), em visita ad Limina, recebidos esta manhã, no Vaticano.


Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.
 
fonte: www.vatican.va

21 outubro 2010

Padre Marcelo Rossi - Evangelizador Moderno do ano

É interessante como a vida é cheia de surpresas. Padre Marcelo Rossi recebe no Vaticano das mãos do Papa Bento XVI o prêmio de Evangelizador Moderno do ano, colocando em cheque vários discursos contrários ao seu modo de Evangelizar.
Criticado, contestado, visto como um incentivador de "oba, oba" na Igreja Católica, é reconhecido pela máxima autoridade da Igreja, "calando a boca" de quem por ciúmes não permitiu que ele se aproximasse de Bento XVI na sua visita ao Brasil em 2007. Esperemos que com esse reconhecimento da Igreja Católica ao Padre Marcelo, seja reconhecido que carisma é um dom de Deus concedido para fazer com que as pessoas se sintam atraídas pelo novo, diferente, mesmo que aos olhos de muitos isso não seja bem visto ou compreendido.
Parabéns ao Padre Marcelo e ao Brasil pela diversidade de carismas, e modos e evangelizar. 

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