Queridos Jovens,
Pensei muito em vós, nestas horas em que não foi possível ver-nos. Espero que
tenhais podido dormir um pouco, apesar dos rigores do clima. Tenho certeza que,
nesta madrugada, tereis levantando, mais de uma vez, os olhos para céu, e não só
os olhos, também o coração, e isso vos terá permitido rezar. Deus tira o bem em
tudo. Com esta confiança, e sabendo que o Senhor nunca nos abandona, comecemos a
nossa celebração eucarística cheios de entusiasmo e firmes na fé.
* * *
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Queridos jovens,
Com a celebração da Eucaristia, chegamos ao momento culminante desta Jornada
Mundial da Juventude. Ao ver-vos aqui, vindos em grande número de todas as
partes, o meu coração enche-se de alegria, pensando no afecto especial com que
Jesus vos olha. Sim, o Senhor vos quer bem e vos chama seus amigos (cf.
Jo 15, 15). Ele vem ter convosco e deseja acompanhar-vos no vosso
caminho, para vos abrir as portas duma vida plena e tornar-vos participantes da
sua relação íntima com o Pai. Pela nossa parte, conscientes da grandeza do seu
amor, desejamos corresponder, com toda a generosidade, a esta manifestação de
predilecção com o propósito de partilhar também com os demais a alegria que
recebemos. Na actualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela
figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a
muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível
que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?
No evangelho que ouvimos (cf.
Mt 16, 13-20), vemos representadas, de
certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria
num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de
Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem:
«Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou
algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem
religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos
discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro
responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de
Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e
é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.
A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de
Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que
to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de
Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua
própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a
identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a
pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus
faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu
sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em
relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.
E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer,
tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a
relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos
tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor
ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.
Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que
fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com
generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso.
Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim.
Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e
amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que
sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.
Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te
digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa
isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a
divindade de Cristo.
Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas
está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua»
Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a
cabeça do corpo (cf.
1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do
Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.
Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a
fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar
Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos
recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se
pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou
de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade,
corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem
falsa d’Ele.
Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva
também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a
Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos
fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com
Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas
paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de
cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração
e a meditação da Palavra de Deus.
E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar
testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde
prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O
dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos.
Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da
vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui,
jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do
mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a
toda a criatura» (
Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa
extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e
países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando
em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam
seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.
Queridos jovens, rezo por vós com todo o afecto do meu coração. Encomendo-vos
à Virgem Maria, para que Ela sempre vos acompanhe com a sua intercessão materna
e vos ensine e fidelidade à Palavra de Deus. Peço-vos também que rezeis pelo
Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os
seus irmãos. Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemos de dia para
dia sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim
um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o
Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança. Amen.
© Copyright 2011 - Libreria Editrice
Vaticana