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10 janeiro 2012

ATO EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO


ATO EM DEFESA DO RIO SÃO FRANCISCO



Jovem: Caros Irmãos, como bem sabemos, o Rio São Francisco é de suma importância para o nosso povo brasileiro. De modo particular, ele tem fundamental importância a nós que somos ribeirinhos. Nós que utilizamos desta água para sobreviver em nossas necessidades cotidianas.

Não podemos permitir que a ganância do ser humano destrua com algo que Deus nos presenteou. Somos responsáveis por este rio. Cada um de nós somos responsáveis por sua sobrevivência e responsáveis por dizer não a qualquer atrocidade que possa ser feita contra este bem tão precioso que o Nosso Senhor nos presenteou.

Assim sendo queridos irmãos e irmãs agradeçamos a Deus pelo caminho que trilhamos até aqui, louvando-O, como nas liturgias solenes do antigo templo, pelas maravilhas que Ele fez na história antiga e que continua fazendo até hoje em nossas vidas.



 1. Em coro a Deus louvemos, eterno é seu amor!  Pois Deus é admirável, eterno é seu amor! Criou o céu e a terra, eterno é seu amor! Criou o sol e a lua, eterno é seu amor!

Por nós fez maravilhas, louvemos ao Senhor! (bis)



2. Fez águas, nuvens, chuvas, eterno é seu amor!  Fez pedras, terras, montes, eterno é seu amor!  O Egito ele feriu, eterno é seu amor! Seu povo libertou, eterno é seu amor! Por nós fez maravilhas, louvemos ao Senhor!



3. A Israel guiou, eterno é seu amor! O mar Vermelho abriu, eterno é seu amor!  Levou pelo deserto, eterno é seu amor! Por nós fez maravilhas, louvemos ao Senhor! (bis)

09 janeiro 2012

VIA-SACRA JOVEM


VIA-SACRA JOVEM

1º.  ESTAÇÃO – JESUS É CONDENADO A MORTE:

Dir: Diante do Conselho e de Pilatos, Jesus é interrogado. Falsos testemunhos são apresentados contra Ele. Antes mesmo de ser julgado, ele está condenado. Finalmente, a sentença: Jesus deve morrer na cruz, como morrem tantos outros criminosos. Sua culpa: apresentar-se como filho de Deus.

L 1: Nesta estação meditamos todos os jovens que são condenados à morte em nome do tráfico, que tira o direito da juventude de sonhar e viver uma vida digna e de esperança.

L 2: Quantos de nossos jovens são condenados por não terem seus direitos garantidos! É só observar a violência moral e simbólica que nos foi imposta pelo neo-liberalismo, um sistema que oprime e tira a dignidade da juventude, que condena jovens inocentes, como Jesus, a carregar a cruz que mantém o privilégio dos poderosos e não permite enxergar um novo horizonte, uma nova luz. Um sistema que transforma suas vítimas em culpados e combate o tráfico com repressão e não prevenção.

Assim, rezemos por todos os jovens que são vítimas do tráfico de drogas, de armas e de seres humanos...

Pai Nosso...  Ave Maria... Glória...

(Cantado) A morrer crucificado, teu Jesus é condenado, por teus crimes pecador. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



2º.  ESTAÇÃO – JESUS CARREGA A CRUZ

Dir: Conforme o costume, Jesus é obrigado a carregar a cruz na qual será crucificado. Ela é colocada em seus ombros machucados. Ao peso da cruz, soma-se a dor provocada pela flagelação. Jesus tem o corpo marcado pelos ultrajes, e a alma entristecida pela aflição.

L1: Lembremos de todos os jovens que buscam seus direitos e são negligenciados pelos governantes que negam os direitos sociais básicos como saúde, esporte, lazer, cultura, trabalho, educação, entregando assim a cruz da falta de oportunidade para que os jovens peregrinem na busca de seus sonhos.

L 2: É a oportunidade o fator decisivo na vida de um jovem, ela que irá determinar o adulto que ele será no dia de amanhã. O que esperar de um jovem que não é atendido nos hospitais, que não trabalha, que não tem como ter lazer, que não recebeu formação cultural e educação? Como dizia D. Hélder Câmara “democracia é dar a todos o mesmo ponto de partida e deixar que cada um faça o seu ponto de chegada.” Então, rezemos por todos os jovens que não tem a oportunidade de sonhar e realizar uma vida mais digna e feliz...

Pai Nosso... Ave Maria... Glória

T: Com a Cruz é carregado, e do peso acabrunhado, vai morrer por teu amor. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



3º.  Estação – JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

Dir: Machucado e sangrando, Jesus dá os primeiros passos rumo ao calvário. À dor física soma-se a dor pela rejeição de sua pessoa e mensagem. A primeira queda é conseqüência da fraqueza provocada pela flagelação.

L 1: Nesta estação, lembremos todos os meninos e meninas que caem no vícios das drogas e são vitimas dos esquemas que geram fortunas a custa da queda de milhares de jovens que se consomem nos vícios de drogas.

L 2: Uma sociedade que criminaliza o uso de drogas e não oferece tratamento e cuidado aos jovens vítimas dessa epidemia social está fadada a morte. O usuário de drogas não tem controle sobre seus atos, age por dependência de entorpecentes causadores de morte e é nosso dever enquanto Estado e Sociedade cuidar de todos os dependentes químicos. Rezemos por todos os jovens usuários dependentes de drogas.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Pela Cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido, pela tua salvação. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



4º. Estação – JESUS ENCONTRA SUA MÃE

Dir: O coração da mãe sofre tanto quanto o coração do Filho. Maria conhece a inocência de Jesus, está consciente da injustiça que cometem contra Ele. Eles se encontram no olhar pleno de dor e amor. Ela chora pelo filho; o filho sente a angústia da mãe, e sofre com ela.

L 1: Em nossa sociedade quantos jovens vivem sem ao menos conhecer sua mãe? Sofrem todos os dramas da vida, sem uma família a quem chorar, vivem sem conhecer a ternura e o amor familiar. Quantos de nossos jovens são abandonados pelas ruas, vivem em abrigos, sofrem violências domésticas e negligência familiar.

L 2: É possível que um dia todos esses jovens revertam essa violência sofrida no âmbito familiar na sociedade. Aí está a causa primordial da insegurança pública que hoje sofremos. Crianças, adolescentes e jovens precisam ser tratados com carinho e respeito, promovendo sua dignidade de pessoa humana. Rezemos por todos os jovens que não receberam o amor maternal/paternal, e peçamos que, como Nossa Senhora, que encontrou seu filho no caminho da cruz, nós possamos ser família daqueles carregam a injusta cruz de não possuir família.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: De Maria lacrimosa, sua Mãe tão dolorosa, vê a imensa compaixão. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



5º.  Estação – CIRINEU CARREGA A CRUZ DE JESUS

Dir: Simão Cirineu, um trabalhador do campo, é chamado pelos soldados para carregar a cruz de Jesus. Foi por pouco tempo; a cruz retirada de Cirineu, voltou aos ombros machucados de Jesus.

L 1: Vivemos em uma sociedade individualista, onde o que o “outro” sofre não nos preocupa. Porém, há um despertar de consciência através de grupos corajosos, como os movimentos sociais, que tem feito a luz da fraternidade brilhar em todos os cantos do mundo.

L 2: Para ser irmão, é preciso comprometer-se com o irmão. Nossa fraternidade tem que incluir tudo que atinge a família humana, inclusive a eliminação da violência simbólica, gerada pela discriminação e o preconceito. O verdadeiro cristão respeita o outro e assume sua cruz, suportando com ele as discriminações e preconceito impostos por essa sociedade voltada unicamente ao capital.

Dir: Rezemos para que possamos ser como o Cirineu que ajudou a Cristo a carregar a cruz, e que as cruzes da violência simbólica impostas a juventude sejam eliminadas da sociedade com a nossa ajuda.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Em extremo desmaiado, deve auxílio, tão cansado, receber do Cirineu. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



6º.  ESTAÇÃO – VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS

Dir: Mãos amigas vão ao encontro do rosto de Jesus. É Verônica que, compadecida, enxuga o suor e o sangue que se misturam em sua feição. O carinho de Verônica encoraja Jesus e ele segue no cumprimento da sentença a que foi condenado.

L 1: Em nossa sociedade encontramos muitas mulheres corajosas como Verônica, que enfrentam os soldados romanos, mesmo sabendo que serão machucadas. São as mulheres que sofrem a discriminação por assumirem a condição de chefes de família, ou são as jovens que dizem SIM à vida e levam adiante uma gravidez inesperada, mesmo sem o apoio de seus companheiros.

L 2: Não é fácil manter a dignidade de mulher numa sociedade em que o machismo impera. É necessária muita coragem e certeza de protagonismo feminino, principalmente para as jovens mulheres que se tornam mães sem o apoio da família, dos amigos e do companheiro. Invés de “atirarmos pedras” deveríamos ir ao encontro dessas mulheres e enxugar-lhes o rosto que transborda cansaço da luta diária pelas condições injustas que nós as submetemos.

Dir: Rezemos por todas as mulheres vítima da nossa violência moral, as mães de família, mães jovens solteiras, jovens abandonadas grávidas que enfrentam o machismo de nossa sociedade e buscam condições de criarem seus filhos, mas nunca perdem a amabilidade de sonhar.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: O Seu rosto ensangüentado, por Verônica enxugado, eis no pano apareceu. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



7º.  ESTAÇÃO – JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

Dir: As dificuldades aumentam à medida em que a cruz pesa e o corpo de Jesus sente o cansaço da caminhada. As forças diminuem; a debilidade aumenta.A segunda queda dilacera ainda mais o corpo machucado de Jesus.

L 1: No Brasil, a exploração do trabalho infantil e do trabalho escravo são ainda chagas vergonhosas. A organização do trabalho permanece precária. É grande o trabalho informal, inseguro, instável e não protegido por lei, e as principais vítimas são os jovens. As lutas dos trabalhadores e os esforços dos sindicatos têm levado ao reconhecimento de direitos que muitas vezes, porém, acabam por ser ignorados. A eliminação permanente de postos de trabalho, as dificuldades de acesso ao emprego e o surgimento de novos processos de exclusão social, o enfraquecimento dos sindicatos de trabalhadores e de suas penosas conquistas, desafiam o ideal da cidadania ligada ao trabalho e geram toda uma desigualdade social, que se converterá em violência contra todos nós. Somente o trabalho digno é capaz de reverter essa situação.

Dir: Rezemos pelos jovens desempregados de nossa sociedade, a todos que buscam um emprego digno para sobreviver e viver decentemente, podendo assim sonhar com um futuro justo. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Outra vez desfalecido, pelas dores abatido, cai em terra o Salvador. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



8º.  ESTAÇÃO – JESUS CONSOLA AS MULHERES DE JERUSALÉM

Dir: Uma grande multidão seguia Jesus em sua trajetória de dor. Algumas pessoas estavam ali por curiosidade, outros por compaixão. Algumas mulheres choram, lamentando a condenação de Jesus. Elas manifestam o seu pesar e Jesus as consola.

Jesus esquece seu sofrimento para acolher as mulheres que lhe seguiam. Muitas mulheres em nossa sociedade buscam consolo na vida por viverem sob constante ameaça de morte. São agredidas pelos seus parceiros, e violentadas sexualmente, por uma sociedade que prega o erotismo e faz da mulher um objeto de prazer e desejo. Acolhe o bom mestre estas, que sofrem contigo no calvário.

L 1: Está comprovado que a maioria dos assassinatos de mulheres tem haver com a questão cultural do machismo, que transforma a mulher em mero objeto sexual do homem. Mesmo assim, em nome de sua família, muitas mulheres toleram essa violência e vão à luta com dignidade. Outras, porém, são obrigadas a se prostituir para sua sobrevivência e também sobrevivência de sua família. Mais uma vez o capital retira algo fundamental no ser humano: sua liberdade sexual, vulgarizando e desmoralizando o amor entre homens e mulheres.

L 2: Acolhe, ó Bom Mestre, todas as mulheres vítimas da violência doméstica, da violência sexual e também as mulheres que vendem o corpo, vítimas do nosso julgamento moral. Elas também sofrem contigo no caminho do calvário. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Das matronas piedosas, de Sião filhas chorosas, é Jesus consolador. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



9º. ESTAÇÃO – JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

Dir: O peso da cruz e o corpo debilitado derrubam Jesus. Ele está no chão, é a terceira queda. O caminho para o calvário está concluído. Jesus não tem mais forças, e é arrastado até o lugar onde será crucificado. O bom mestre cai por terra pela terceira vez, derramando seu sangue sobre nosso chão. Hoje, milhares de jovens caem, derramando seu sangue sobre o solo, vítimas dos conflitos de terra. Além da violência física sofrida por esses jovens, existe a violência simbólica marcada pelo preconceito que nossa sociedade encara com relação aos que lutam pela terra.

L 1: Mais uma vez o capital marginaliza as vítimas de um sistema injusto. Para nós, cristãos, é inconcebível que a distribuição de terras produtivas fique nas mãos de poucos latifundiários, que utilizam mão de obra barata e exploram a terra sem nenhum cuidado com a saúde do solo. Urgente se faz a reforma agrária, em que exista limites à propriedade privada e mais pessoas tenham o direito de cultivar o solo.

L 2: Rezemos por todos os jovens e suas famílias que vivem em conflitos de terras, onde lhe são retirado o sagrado direito de produzir, e de possuir um pedaço de chão. Rezemos por todos que sofrem com os conflitos agrários. E pela reforma agrária necessária e indispensável em nosso país.Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Cai terceira vez prostrado, pelo peso redobrado, dos pecados e da Cruz. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



10º.  ESTAÇÃO – JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES

Dir: Os soldados arrancam as roupas de Jesus; a túnica, feita de uma peça única, é sorteada. A entrega é total. Ele está nu; nem mesmo roupas Ele possui. Tudo lhe é tirado. Ele nasceu pobre, e pobre morrerá. Jesus é humilhado na sua dignidade divina e nos seus direitos humanos ao ser despojado de suas vestes. Quantos jovens, como Jesus, sofrem com perseguições e violência escolar? Quantos jovens sofrem bulling?

L 1: O respeito no ambiente escolar é fundamental para a formação da personalidade de um jovem. Infelizmente, todos os jovens que não se encaixam nos “padrões” exigidos pela sociedade sofrem diversas perseguições por serem diferentes. Como cristãos não podemos aceitar que o diferente seja tratado com desigualdade. A diferença é fundamental para nosso crescimento enquanto seres humanos, mas a desigualdade é a violação dos direitos humanos. Todos merecem ser tratados com respeito e dignidade.

L 2: Rezemos para que a educação aconteça para se criar valores em nossos jovens, impedindo assim que se crie uma sociedade de medo e uma cultura de morte. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Dos vestidos despojado, por verdugos mal tratado, eu vos vejo meu Jesus. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



11º.  ESTAÇÃO – JESUS É PREGADO NA CRUZ

Dir: No calvário, Jesus é preso à cruz. Ele fica suspenso, tendo apenas um suporte para os pés. A crucificação é castigo reservado para os ladrões e assaltantes, entre outros. Jesus é tido e tratado como um deles. Hoje, somos “pregados” pela cultura do consumismo. Vivemos em uma economia de mercado que coloca o aspecto financeiro acima de todos os demais e transforma tudo em mercadoria, que valoriza pessoas pelo seu padrão de consumo, que cria vícios de acúmulo do supérfluo como forma de alguém se sentir importante. Isso ameaça pobres e não pobres sacrifica famílias, deforma valores e torna as pessoas vulneráveis a uma propaganda consumista insaciável.

L 1: Os jovens estão entre as principais vítimas dessa cultura distorcida. A felicidade trazida pelo consumismo é efêmera. Isso faz com que os jovens busquem a felicidade em outros meios como as drogas, o álcool e o sexo desenfreado, sem nenhum cuidado ou respeito ao próximo. Muitos jovens também buscam essa felicidade passageira e se submetem ao tráfico de drogas, cometem crimes e chegam até mesmo a matar outros seres humanos, outros jovens...

L 2: Como cristãos, está mais do que na hora de mostrarmos ao mundo que a felicidade consiste em amar o próximo, e garantir sua dignidade. Como disse D. Pedro Casaldáliga “queremos viver, à luz do Evangelho, a paixão obsessiva de Jesus, o Reino.”

Rezemos pelo fim da violência e do extermínio de milhares de jovens de nossa sociedade, pois como tu, Jesus, fostes crucificado, nossos jovens também sentem a dor de serem pregados em cruzes, sem liberdade de sonhar e acreditar na vida. Os mesmos pregos que te seguraram na cruz, prendem os jovens em presídios, tráficos, vícios, acerto de contas e no ódio imposto pelo egoísmo de uma sociedade que esquece de olhar pelos jovens. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Sois por mim na Cruz pregado, insultado, blasfemado, com cegueira e com furor. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



12º.  ESTAÇÃO – JESUS MORRE NA CRUZ

Dir: O corpo de Jesus está no auge do esgotamento. Ele agoniza, mas ainda encontra força para uma oração: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.” (Todos se ajoelham por um momento e fazem um minuto de silêncio) A fonte da vida encontrou a morte. Até o fim, Jesus assumiu a natureza humana. E tendo dado um grande grito, Jesus expirou. Ele penetra na morte “para que todos tenham vida e a tenham plenamente" queremos carregar o mistério de viver em abundancia, e anunciar o projeto de Jesus cristo de Vida para todos/as.

L 1: Como Jesus, muitos dão sua vida por outros, muitos dão sua vida pelo reino. Queremos fazer memória de todos os nossos mártires, que como Jesus, amaram os seus até o fim. Em um de seus últimos depoimentos, pouco antes de ser assassinado enquanto celebrava uma missa em El Salvador, D. Oscar Romero disse “que meu sangue seja semente de liberdade e sinal que a esperança se torna realidade.” E é pelo testemunho de todos os mártires, principalmente do mártir Jesus, que não podemos jamais esquecer o Reino!

L 2: Rezemos por todos que são perseguidos e mortos em nome da justiça, e se fazem mártires por acreditarem que o reino de Deus é de justiça, paz e Vida. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Por meus crimes padecestes, Meu Jesus por mim morrestes, como é grande a minha dor. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



13º.  ESTAÇÃO – JESUS É DESCIDO DA CRUZ

Dir: Um soldado perfurou o coração de Jesus com uma lança; dele saiu sangue e água. Retirado da cruz, o corpo de Jesus é recebido por Maria e por aqueles que o acompanharam até a morte.

L 1: Como Maria que recebe seu filho “morto” em seus braços, queremos lembrar de todas as Mães, que recebem um “corpo” de seus filhos em seus braços. Corrompidas pelas dores, clamam por justiça, mas por suas condições sociais não recebem respostas pelo motivo da morte deles.

L 2: A grande insegurança que sofremos hoje tem tornados milhares de pais e mães órfãos. Seus filhos lhes são tirados de maneira injusta, tal como Jesus foi tirado de Maria. A violência vem destruindo milhares de famílias e exterminando o futuro, com a morte de tantos jovens. Precisamos denunciar a morte de milhares de jovens exterminados pelas milícias e pelos grupos de extermínio.

L 3: Rezemos por todas as mães, pais, irmãos e amigos que recebem o corpo de seus filhos, irmãos e amigos sem vida e que seja feita justiça aos culpados por esses crimes.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: Do madeiro Vos tiraram, e nos braços Vos deixaram, de Maria. Que aflição. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.





14º.  ESTAÇÃO – JESUS É SEPULTADO

Dir: O corpo de Jesus é colocado num túmulo cavado na rocha. Envolto numa peça de linho, ele repousa depois de ser ultrajado e machucado.

L 1: No sepulcro Jesus é colocado, a vida dom sagrado foi corrompida. Nesta estação, queremos lembrar e pedir perdão por todos aqueles que nosso sistema matou e sepultou, os esquecendo por tanto tempo. Pedimos perdão pela morte de tantas crianças e jovens, vítimas da fome; pedimos perdão por tantos analfabetos, que tiveram seu direito ao conhecimento transformado em mercadoria; pedimos perdão pelos que estão excluídos, os que não tem casa, terra ou emprego, pedimos perdão pelos marginalizados. Pedimos perdão por todos os “Cristos” que matamos e sepultamos todos os dias, vítimas da violência de nosso mundo.

L 2: Rezemos por nossas vidas, para que possamos superar a morte e a dor, e sejamos sinal de superação de uma sociedade que prega uma paz de cemitérios, onde a dor alheia nos é indiferente. Pai Nosso... Ave Maria... Glória...

T: No sepulcro vos deixaram, enterrado vos choraram, magoado coração. Pela Virgem dolorosa, vossa Mãe tão piedosa, perdoai-me bom Jesus, perdoai-me bom Jesus.



15º.  ESTAÇÃO – JESUS RESSUSCITA DENTRE OS MORTOS

Dir: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava.” (MT 28, 5-6).

L 1: Somos convidados com Jesus, o Ressuscitado, a anunciar a “vida plena” e a construirmos a civilização do amor. Hoje podemos sonhar, pois Cristo vive, a morte e a dor foram vencidas. Não podemos mais aceitar tanta morte em nosso meio, pois ELE vive. Rezemos para que possamos sempre defender o direito à vida de nossa juventude e rezemos para sermos “páscoa na páscoa” em nome de um projeto muito maior, em nome do Projeto do Reino definitivo.

Canto: Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há. Mas eu bem sei que o meu futuro está nas mãos do meu Jesus, que vivo está



Oração

Pai Eterno que enviastes o Vosso filho Jesus para socorrer o mundo, e Ele o salvou morrendo na Cruz, fazei que, por esta Cruz e pelos sofrimentos de Cristo, a humanidade encontre sempre o auxílio e o socorro de que necessita. Por Nosso Senhor Jesus cristo Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


08 janeiro 2012

Terço da juventude


Terço da juventude

Para muitas pessoas a juventude é apenas uma etapa da vida, um tempo de transição, de escolhas, de adaptação. No entanto, sabemos que ser jovem é muito mais que ter pouca idade. É ter muita vida no coração, muita vontade de vencer, muita garra para ir a luta. Que este terço nos anime a seguir o exemplo de tantos jovens da Bíblia que lutaram e venceram


Primeiro Mistério: A história do jovem Davi (I Sm 16, 1-13)

Uma das coisas que mais entristece um jovem é não receber a confiança dos mais velhos. Há quem diga que o jovem é naturalmente irresponsável. Pelo jeito, Deus não pensa assim, pois confiou os momentos mais importantes da história da salvação a pessoas jovens. Vamos rezar e refletir sobre esta história do jovem Rei Davi.

Pai Nosso... Ave Maria...



Segundo Mistério: Uma jovem chamada Maria ((Lc 1, 30-38)

Se a história acontecesse nos nossos dias, Maria estaria cursando os primeiros anos do Ensino Médio. Não teria mais que 16 anos. E Deus colocou em suas mãos a decisão mais importante da história. É claro que este é um caso todo especial. Mas nos faz pensar na confiança que devemos ter em nossos jovens. Quantos deles estão em tempo de decisão. É preciso a fé e a coragem de Maria para dar um passo. Mas não sem antes questionar o significado das coisas, como fez a jovem de Nazaré. Juventude é tempo de questionamento, de fazer muitas perguntas. Mas no final de tudo é preciso ter também a disponibilidade de Maria.

Pai Nosso... Ave Maria...



Terceiro Mistério: A adolescência de Jesus (Lc 2, 41-52)

No início de sua adolescência, Jesus aparece com um destes meninos perguntadores: por que isso? Por que aquilo? Fazia também suas aventuras: deixou seus pais preocupados quando desapareceu no meio de uma excursão; Quem já não passou por essa situação? Não basta crescer em tamanho. Também não basta passar no vestibular e ser bem visto pelos outros. Não é suficiente crescer em sabedoria. O jovem precisa de um crescimento integral: no corpo, na mente, no coração...diante de Deus e diante da sociedade.

Pai Nosso... Ave Maria...



Quarto Mistério: Um jovem que disse não (Mt 19, 16-29)

Este jovem tem alguma coisa a ver com você? Um barco precisa soltar as amarras e jogar fora algum peso para avançar em direção ao alto mar. O que é que está pesando demais em seu coração? Será que essa não é a causa de muitas de suas tristezas?

Pai Nosso... Ave Maria...

                       

Quinto Mistério: Um jovem que disse sim

Se o jovem rico disse não e colheu tristeza, João disse sim e tornou-se símbolo de ternura, alegria e amor. O jovem João esteve presente em momentos marcantes da vida de Jesus. Porém, o que mais chama a atenção é que João, o mais jovem dos apóstolos, foi o único a seguir até a cruz. Esta fortaleza é o grande dom que pedimos nesta oração. Diante dos apelos da droga, da violência, da vida sexual irresponsável, da moda, e de tantos outros caminhos que conduzem à morte, o jovem é chamado a escolher o caminho da vida. Basta dar um passo...os outros virão!

Pai Nosso... Ave Maria...

18 outubro 2010

Carta do Papa Bento XVI aos Seminaristas

Queridos Seminaristas,



Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objeções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a «comunidade dos discípulos», o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar conosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo fato de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande patrimônio da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus».

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma «norma da doutrina», à qual fomos entregues no Batismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: «Sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar “a razão” (logos) da vossa esperança» (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, refletindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecumênica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canônico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente «íntegro». Por isso, a tradição cristã sempre associou às «virtudes teologais» as «virtudes cardeais», derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: «Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.

7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.

Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à proteção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus onipotente Pai, Filho e Espírito Santo.



Vaticano, 18 de Outubro – Festa de São Lucas, Evangelista – do ano 2010.



Vosso no Senhor



Benedictus PP XVI

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