04 maio 2009

Alegrai-vos...

Para captarmos bem o segredo da alegria insondável de Jesus, e que lhe é propria, vamos mergulhar no Evangelho de João e levantar o véu de tal segredo, ao referir-nos as palavras ditas na intimidade pelo Filho de Deus feito Homem. Se Jesus, de fato, irradia tanta serenidade, segurança, alegria e disponibilidade, é por causa do amor inefável com que ele sabe ser amado pelo seu Pai. No seu batismo, às margens do Jordão, esse amor, presente desde o primeiro instante da sua encarnação, então se manifesta “Tu és o meu filho amado; em ti eu me comprazo”. Esta certeza era inseparável da consciência de Jesus. Era uma presença que nunca o abandonava, e um conhecimento íntimo que o enche plenamente: “O Pai conhece-me e eu O conheço”. É uma permuta incessante e total: “O que é meu é teu e o que é teu é meu”. O Pai outorgou ao Filho o poder de julgar, bem como o de dispor a vida. É uma habitação recíproca: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Em retribuição, o Filho consagra um amor sem limites: “Eu amo o Pai e faço o que o Pai me ordenou”. Ele sempre faz a vontade do Pai e isso é seu alimento. E a repercursão, na sua consciência de homem, do amor, daquele amor que ele experimentou sempre como Deus, no seio do Pai o faz declarar: “Tu me amastes antes da fundação do mundo”. Eis o segredo da vida trinitária: o Pai aparece aí como aquele que se dá ao Filho, sem reservas nem iterferencias, num impulso de alegria e generosidade; e o Filho, como aquele que se dá do mesmo modo ao Pai, com um impulso de gratidão alegre, no Espírito.
Donde, os discipulo, bem como todos os demais que vierem a acreditar em Cristo, são chamados a participar desta alegria. Jesus deseja que eles tenham em si próprios a sua mesma alegria em plenitude: “Eu dei-lhes a conhecer o teu nome e dá-lo-ei a conhecer ainda, para que o amor com que me amastes esteja neles e eu esteja neles”.

Esta alegria de permancer no amor de Deus começa já aqui, a partir deste mundo.

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.

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