22 outubro 2011

Ofício de Leituras do Beato João Paulo II, Papa

BEATO JOÃO PAULO II, PAPA
Carlos José Wojtyła nasceu em 1920 no lugar de Wadowice na Polónia. Ordenado sacerdote, continuou os seus estudos teológicos em Roma, depois dos quais regressou ao seu paíz onde exerceu diversos cargos pastorais e universitários. Foi nomeado bispo auxiliar de Cracóvia, e em 1964 Arcebispo do mesmo lugar. Tomou parte no Concílio Ecuménico Vaticano II. Eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, com o nome de João Paulo II, distinguiu-se pela extraordinária solicitude apostólica, em particular para com as famílias, os jovens e os doentes, o que o levou a realizar numerosas visitas pastorais a todo o mundo. Entre os muitos frutos mais significativos deixados em herança à Igreja, destaca-se o seu riquíssimo Magistério e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canónico para a Igreja latina e oriental. Morreu piedosamente, em Roma, a 2 de Abril de 2005, na Vigilia do II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia.
Do Comum dos pastores da Igreja: para um Papa.
Ofício de leitura
Segunda leitura
Da homilia do beato João Paulo II, papa, no início do seu pontificado
(22 de Outubro de 1978: A.A.S. 70 [1978], pp. 945-947)
Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!
Pedro veio para Roma! E o que foi que o guiou e o conduziu para esta Urbe, o coração do Império Romano, senão a obediência à inspiração recebida do Senhor? Talvez aquele pescador da Galileia nuna tivesse tido vontade de vir até aqui. Talvez tivesse preferido permanecer, lá onde estava, nas margens do lago da Galileia, com a sua barca e com as suas redes. Mas, guiado pelo Senhor e obediente à sua inspiração, chegou até aqui!
Segundo uma antiga tradição, durante a perseguição de Nero, Pedro teria tido vontade de deixar Roma. Mas o Senhor interveio: veio ao seu encontro. Pedro, dirigindo-se ao Senhor perguntou: "Quo vadis, Domine?” (Aonde vais, Senhor?). E o Senhor imediatamente lhe respondeu: "Vou para Roma, para ser crucificado pela segunda vez". Pedro voltou então para Roma e aí permaneceu até à sua crucifixão.
O nosso tempo convida-nos, impele-nos e obriga-nos a olhar para o Senhor e a imergir-nos numa humilde e devota meditação do mistério do supremo poder do mesmo Cristo.
Aquele que nasceu da Virgem Maria, o filho do carpinteiro – como se considerava –, o Filho de Deus vivo, como confessou Pedro, veio para fazer de todos nós “um reino de sacerdotes” .
O Concílio do Vaticano II recordou-nos o mistério deste poder e o facto de que a missão de Cristo – Sacerdote, Profeta, Mestre e Rei – continua na Igreja. Todos, todo o Povo de Deus participa desta tríplice missão. E talvez que no passado se pusesse sobre a cabeça do Papa o trirregno, aquela tríplice coroa, para exprimir, mediante tal símbolo, que toda a ordem hierárquica da Igreja de Cristo, todo o seu "sagrado poder" que nela é exercido não é mais do que serviço; serviço que tem uma única finalidade: que todo o Povo de Deus participe desta tríplice missão de Cristo e que permaneça sempre sob a soberania do Senhor, a qual não tem as suas origens nos poderes deste mundo, mas sim no Pai celeste e no mistério da Cruz e da Ressurreição.
O poder absoluto e ao mesmo tempo doce e suave do Senhor corresponde a quanto é o mais profundo do homem, às suas mais elevadas aspirações da inteligência, da vontade e do coração. Esse poder não fala com a linguagem da força, mas exprime-se na caridade e na verdade.
O novo Sucessor de Pedro na Sé de Roma eleva, neste dia, uma prece ardente, humilde e confiante: “Ó Cristo! Fazei com que eu possa tornar-me e ser sempre servidor do teu único poder! Servidor do teu suave poder! Servidor do teu poder que não conhece ocaso! Fazei com que eu possa ser um servo! Mais ainda: servo de todos os teus servos.”
Irmãos e Irmãs! Não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder!
Ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira!
Não tenhais medo! Abri antes, ou melhor, escancarai as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador abri os confins dos Estados, os sistemas económicos assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!
Hoje em dia é frequente o homem não saber o que traz no interior de si mesmo, no mais íntimo da sua alma e do seu coração, Frequentemente não encontra o sentido da sua vida sobre a terra. Deixa-se invadir pela dúvida que se transforma em desespero. Permiti, pois – peço-vos e vo-lo imploro com humildade e com confiança – permiti a Cristo falar ao homem. Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna.

Responsório

R/. Não tenhais medo: o Redentor do homem manifestou o poder da cruz dando a sua vida por nós! * Abri, escancarai as portas a Cristo!

V/. Somos chamados na Igreja a participar no seu poder. * Abri, escancarai as portas a Cristo!

Oração

Ó Deus, rico de misericórdia, que escolhestes o beato João Paulo II para governar a Vossa Igreja como papa, concedei-nos que, instruídos pelos seus ensinamentos, possamos abrir confiadamente os nossos corações à graça salvífica de Cristo, único Redentor do homem. Ele que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

06 outubro 2011

A Peregrinação da Cruz da JMJ - Parte V


No ano 2000, a Cruz continuou a sua peregrinação jubilar pela Itália: na última etapa foi levada nas costas de Mântua a Roma por um grupo de 200 jovens, que logo entreguaram aos delegados do Fórum Internacional da Juventude com as seguintes palavras: "Durante o caminho nos enamoramos profundamente por esta Cruz ... mas estamos muito feliz em dá-la porque esta cruz não é nossa, é a Cruz de todos e para todos. Também entendemos que este gesto é para nós o último ato da nossa peregrinação, mas também o início de uma nova vida, em que a Cruz não é apenas um pedaço de madeira, mas uma cruz que todos os dias devemos levar conosco "(12 de agosto, 2000). Em seguida, a cruz foi levada para a Praça de São Pedro para a abertura da XV Jornada Mundial da Juventude, celebrado com um dos maiores encontros já vistos: entre 15 e 20 de agosto de 2000, a Cruz foi protagonista de uma impressionante via crucis, que veio através do Fórum Romano até ao Coliseu, uma infinitude de jovens se aproximaram do sacramento da reconciliação no Circus Maximus, e mais de dois milhões de pessoas participaram da Missa de encerramentol realizada pelo Santo Padre em Tor Vergata.
Em 2001, novamente na Praça de São Pedro para a celebração da XVI Jornada Mundial da Juventude na diocese de Roma, a cruz foi entregue por uma delegação de jovens italianos a uma delegação de jovens do Canadá. Cruzando o Atlântico mais uma vez, a Cruz começou sua longa jornada através do vasto território canadense, viajando em aviões privados ou de linha, realizada em trenós, transportados por guindastes, tratores, barcos, vela e pesca, foi visitar as paróquias, os jovens nas prosões, escolas, universidades, monumentos nacionais, shopping centers, centro de ruas, parques e bairros durante a noite.
Em 2002, Cruz continuou a sua viagem pelo Canadá, interrompida por três dias em fevereiro, ao ser levada para Ground Zero, em Nova York, como um sinal de esperança para o povo dos Estados Unidos logo após a tragédia de 11 de setembro. Em seguida, Cruz voltou para o Canadá. Em 28 de abril um grupo de jovens em Ontário e Quebec (chamado de "portageurs ') partiram da Catedral Montreal, Maria Regina Mundi, sendo levada a pé a Toronto, em uma peregrinação que durou 43 dias: onde quer que parasse nesta viagem, a Cruz atraia muitas pessoas, chegando a tocá-la e abraçá-la, orando fervorosamente. Em Toronto, a Cruz ficou com jovens durante toda a XVII Jornada Mundial da Juventude, e estava no centro de todas as celebrações principais. Estas são as palavras do Papa durante a cerimônia de boas-vindas em Toronto: "É caminhando com Cristo que podereis encontrar a verdadeira alegria! Precisamente por esta razão Ele tem nos repetido sua mensagem de alegria: "Bem-Aventurados...'. Acolhendo agora sua Cruz gloriosa, aquela Cruz que junto aos jovens tem percorrido as ruas do mundo, deixem ecoar nas profundezas do seu coração a sua palavra consoladora e comprometedora: "Bem-aventurados ..." (25 de julho de 2002).
Após a Jornada Mundial em Toronto, Cruz voltou para a Europa, onde foi trasladada para a República Checa até o final do ano.
Entre 21 de Março e 05 de abril de 2003 a Cruz esteve na Irlanda, voltando a tempo para o Domingo de Ramos, no dia em que jovens canadenses deram aos jovens da Alemanha, sede do próximo encontro mundial. No final da missa do Domingo de Ramos, João Paulo II queria dar aos jovens uma cópia do ícone de Maria, Salus Populi Romani, " Entrego também à delegação vinda da Alemanha o Ícone de Maria. Daqui em diante, juntamente com a Cruz, ele acompanhará as Jornadas Mundiais da Juventude. Eis a tua Mãe! Será sinal da presença materna de Maria ao lado dos jovens, chamados, como o apóstolo João, a acolhê-la na sua vida. "(Angelus, XVIII Jornada Mundial da Juventude, 13 de abril de 2003). Esta cópia do ícone, cuja versão original é mantido na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, era uma figura de destaque durante a celebração da JMJ 2000, em Tor Vergata. Ao lado da cruz, agora está viajando por vários países...

Conselho Pontifício para os Leigos, julho de 2003

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